21 de março foi o “Dia D” contra a discriminação racial que teve como tema: “Saúde Sem Preconceito”

A Prefeitura de São Francisco do Conde entrou na luta contra o preconceito racial e dedicou o mês de março, mês voltado à luta contra a discriminação racial, para realizar ações contra essa prática. O marco desta luta aconteceu nesta quarta-feira, 21 de março de 2018, com a realização do “Dia D”, com o tema: “Saúde Sem Preconceito”.

Através das secretarias municipais da Saúde (SESAU) e de Direito Humanos, Cidadania e Juventude (SDHCJ) o evento, que aconteceu na Câmara de Vereadores, teve como foco a saúde da população negra do município, com duas apresentações: a primeira realizada pela área técnica da SESAB e a segunda pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, onde foram apresentados dados sobre a saúde da população negra, demostrando exemplos de racismo institucional e a importância de uma assistência inclusiva e integral.

Antes das apresentações, foi formada uma mesa de discussão com a participação do ouvidor do município, Alberto Jorge Mattos (Beto Maria), representando o prefeito Evandro Almeida; José Raimundo Fonseca, representando o presidente da Câmara, Venilson Souza Chaves (Cravinho); da superintendente da Saúde, Maria Antônia Nogueira; do presidente do Conselho Municipal de Saúde, Marivaldo Bispo e do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Sampaio; da representante do Campus dos Malês da UNILAB, Silvani Silva de Almeida; representando a  Secretaria Estadual da Saúde – SESAB, esteve Ubiracy Matilde de Jesus (palestrante); e, a representante da Secretaria Municipal de Direito Humanos, Cidadania e Juventude (SDHCJ), Alva Célia Medeiros, além do palestrante Altair Lira, representando o Instituto de Saúde Coletiva (ISC).

O presidente do Conselho de Saúde, Marivaldo Bispo, salientou que também é celebrado no dia 21 de março o Dia Internacional da Síndrome de Down. Já Alva Célia Medeiros, da Diretoria de Promoção da Igualdade, da Secretaria Municipal de Direito Humanos, Cidadania e Juventude (SDHCJ), frisou a necessidade do respeito às religiões de matrizes africanas nos espaços públicos, como hospitais e postos de saúde.

A superintendente da Secretaria da Saúde, Antônia Maria Nogueira, representou a secretária Eleuzina Falcão e falou do momento oportuno para discutir a saúde da população negra, em uma cidade com maioria negra, e citou o Monte Recôncavo (comunidade quilombola) como exemplo das origens da cidade. “Nós, negros, somos a maioria da população e precisamos nos fortalecer e ter visibilidade em todos os espaços. Março é um mês de luta contra discriminação e a Secretaria da Saúde pretende chamar atenção para o tema através de ações como sensibilização para o combate ao racismo institucional, a nossa participação no Fórum Social Mundial e a realização desse seminário, além da elaboração de um Plano de Ações de Saúde para População Negra. Consta ainda na programação intersetorial, a Feira de Saúde da Mulher Negra, dia 27 de março, e a capacitação dos profissionais. Precisamos superar a questão do preconceito racial”, declarou.

A cidade de São Francisco do Conde tem na sua história a maioria dos prefeitos negros: Osmar Ramos, Antônio Calmon, Rilza Valentim, Evandro Almeida e muitos outros”, lembrou o ouvidor Alberto Jorge Mattos. “Nós temos no nosso território uma universidade com o peso e a força da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, trazida para cá com muita luta. Quem mais sabe o que acontece no nosso país são vocês, não queremos direitos a menos. Não queremos que, quem estiver no poder, tire nossos direitos através desta crise política”.

Já na palestra, Ubiracy Matilde de Jesus, da Secretaria Estadual da Saúde – SESAB, salientou que “o que facilitou o atendimento à população foi o Programa de Saúde da Família e o Programa Mais Médicos. Na Bahia, existe uma carência de profissionais médicos e poucos têm  formação voltada para as necessidades da população negra, pois existem doenças prevalecentes, das quais os negros têm uma maior disposição: como hipertensão, diabetes e doença falciforme”.

Na sequência, Altair Lira, do Instituto de Saúde Coletiva (ISC), frisou dados importantes sobre a existência do racismo institucional como o tempo de permanência dentro da sala do médico, que, segundo estudos, é muito menor com pacientes negros. Outro dado foi referente à morte de gestantes pretas e pardas, que acontecem em maioria por eclampsias e pré-eclâmpsias. O que, segundo Lira, são causas evitáveis com um pré-natal. “As taxas de complicações para mulheres pretas e pardas são o dobro das de mulheres brancas e isso tem a ver com racismo. Em todo o Brasil crianças negras nascem com maior propensão ao baixo peso”, explicou.

No período da tarde, aconteceu no auditório da SESAU, uma discussão com as áreas técnicas da secretaria e o representante do Instituto de Saúde Coletiva, Altair Lira, para fechar os direcionamentos sobre a saúde da população negra na cidade.