Audiência Pública em defesa da UNILAB – Campus do Malês aconteceu nesta quinta-feira (13), no plenário da Câmara Municipal de Vereadores

Na manhã desta quinta-feira (13), o município de São Francisco do Conde foi palco da Audiência Pública em defesa da UNILAB – Campus dos Malês para debater a necessidade de garantir a continuidade e expansão do Campus dos Malês, visando o atendimento de uma demanda territorial, social, e educacional do Recôncavo Baiano e dos países africanos de Língua Portuguesa, parceiros da UNILAB e a defesa da UNILAB/Malês enquanto universidade federal.

De acordo com diretora do Campus Malês, Míriam Rios, “a UNILAB foi criada em 2010, como resultado de lutas e de sonhos, de resistência e de esperança. Em 2014 o nosso campus foi inaugurado. A UNILAB na Bahia é uma conquista de muitas pessoas, algumas que infelizmente já nos deixaram e de outras tantas que seguem firmes conosco, companheiros e companheiras de luta, que eu não me atreveria a nomear se não passaria o dia inteiro e mesmo assim não contemplaria todos. A UNILAB nasce num ciclo de muitos desafios, ampliados com a mudança forçada de governo em 2016 e a subsequente indicação um novo de reitor. Nós somos malês, a resistência e a luta estão no nosso nome e também no nosso cotidiano. Nós, malês, sabemos o que é defender o pensamento científico que rasura as epistemologias hedônicas, sabemos o que é fazer uma prática acadêmica que traz a frente a revisão histórica de injustiça e desigualdades. Estudantes, técnicos, docentes e servidores terceirizados, todos nós sabemos o que é enfrentar a precariedade de condições estruturais do trabalho, vai precisar mais do que uma ação autoritária para minar as nossas forças. Eu nunca ouvi falar em uma universidade brasileira que fosse formada por turmas majoritariamente negras, e, nós, do Campus Malês, fazemos isso e eu sinto orgulho de participar do processo de inclusão social a todo momento”.

O evento aconteceu no plenário da Câmara de Vereadores de São Francisco do Conde. Estudantes, docentes, técnicos, servidores terceirizados e a sociedade em geral lotaram o plenário para mostrar a força, o trabalho e a luta do Campus Malês. A mesa da Audiência Pública foi composta pelo vice-prefeito e secretário de Governo, Carlos Alberto Bispo Cruz (Nem do Caípe); o secretário municipal da Educação, Marivaldo do Amaral; o presidente da Câmara de Vereadores, Venilson Souza Chaves (Cravinho); o deputado federal, Jorge Solla; a secretária estadual de Políticas para Mulheres, Julieta Palmeira; o pró-reitor de Relações Institucionais da UNILAB, Max Araújo; a diretora do Campus dos Malês, Míriam Reis; a presidente do DCE/Malês, Janica Zaida Lopes; a representante da ASSUFBA (Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia), Aldemária Ione dos Santos; o representante da APUB (Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia), Ricardo Carvalho; o representante da Sociedade Civil Organizada de São Francisco do Conde, Atila Santana; a líder quilombola de Dom João, Joselita Gonçalves; o representante do Instituto África 900, Samuel Azevedo; a advogada e representante da Organização TamoJuntas, Laina Crisóstomo. O evento também reuniu secretários e vereadores municipais, dentre outras autoridades.

“Tenho 30 anos fora dos estudos, vou fazer 63 anos e, para mim, o estudo deixou de ser brincadeira, hoje sou uma negra de erguida graças a UNILAB, coisa que a um tempo atrás não sabia o que era isso. Hoje sei de todos os meus direitos, bem como os meus deveres. Quero agradecer primeiramente a Deus, a minha professora Elísia, aos meus professores, Paulo, Fábio e Ismael. Eu não sabia nem mais interpretar um texto, não tinha noção. E quando eu me vi na faculdade deixando meus professores todos de cabeça quente porque achava que não iria conseguir, eles me acalmavam e mostravam toda paciência”, declarou a líder quilombola de Dom João, Joselita Gonçalves.