Desfile cívico em homenagem ao 02 de Julho celebrará a participação franciscana na luta pela Independência do Brasil

No dia 05 de julho, será realizado, após um hiato com mais de meio século, um desfile cívico pelas ruas do município de São Francisco do Conde em homenagem à sua participação histórica no 02 de Julho, com o tema “A participação franciscana na consolidação das lutas pela Independência do Brasil na Bahia”. Com concentração no Largo da Cubamba, às 08h da manhã, o desfile terá a participação dos serviços da Prefeitura e das escolas de Ensino Fundamental Anos Finais da rede municipal de ensino, as quais apresentarão uma cronologia dos acontecimentos que culminaram na independência brasileira. O ato cívico acontecerá na Praça da Independência, com hasteamento da bandeira e pronunciamento das autoridades municipais.

O desfile promovido pela gestão municipal é um resgate histórico de uma tradição que acontecia no município até os anos 50. O secretário Marivaldo do Amaral é o principal entusiasta e defensor do seu retorno às ruas da cidade. “A celebração do 02 de Julho é um encontro de São Francisco do Conde com a sua história. O que estamos fazendo é dar ao povo franciscano ciência da sua própria trajetória e importância. Uma cidade que conhece a sua história consegue trilhar caminhos mais exitosos para sua gente. Os países que alcançaram um elevado nível de desenvolvimento tiveram na educação seu maior alicerce”, declarou o gestor.

Resgatar o 02 de Julho é comemorar a efetiva independência brasileira, onde ficamos realmente independentes. É um ato histórico e simbólico e, acima de tudo, de bravura, onde o povo brasileiro, especialmente o povo franciscano, o povo baiano, os pobres, os escravizados, os cabras, todos em uma luta colossal, expulsaram um exército treinado e profissional”, declarou o historiador José Marcelo, integrante do Núcleo de Estudos de São Francisco do Conde, gestado na Secretaria da Educação – SEDUC.

Exaltar a real participação de São Francisco do Conde no 2 de Julho, nas lutas pela Independência do Brasil é de extrema importância, pois sua consolidação acontece aqui na Bahia e, principalmente, aqui no Recôncavo”, continuou o estudioso. Para ele, “falar do desfile do 2 de Julho é falar da bravura da nossa gente. É falar de um Antônio Vilela, um homem do mar, líder dos saveiristas. É falar de Santinho Vaqueiro, um hábil homem do campo que tinha uma habilidade imensa no seu cavalo, evidente na Batalha de Pirajá. É você falar do Siqueira Bulcão, dos senhores de Engenho, da relevância do convento, que serviu como hospital. O próprio Engenho D‘Água, que servia como um hospital de guerra. É você demarcar esse canto do muro onde foi montada uma artilharia com vários canhões, caso os portugueses conseguissem romper o cerco de Cachoeira e quisessem adentrar na Baía de Todos-os-Santos”.

Uma peculiaridade das batalhas é que a grande maioria dos que lutaram pela independência nunca tinham estado em uma guerra. “Mas pela vontade de tornar o Brasil independente e mostrar que nós somos donos da nossa própria história, esses homens e mulheres, senhores de Engenho, escravizados, pescadores, vaqueiros, ou seja, as pessoas ricas e as pessoas pobres, os brasileiros em si, conseguiram expulsar e consolidar a nossa independência”, contou José Marcelo, que ajudou a sistematizar o cronograma de acontecimentos que irão nortear o desfile das escolas Joaquim Alves Cruz Rios, Centro de Aperfeiçoamento do Saber, Instituto Luiz Viana Neto e Centro Educacional Claudionor Batista.

Em um roteiro que traça uma narrativa dos principais fatos históricos pelas ruas da cidade, a participação de São Francisco do Conde nas lutas pela Independência do Brasil será exaltada. Por meio do desfile cívico, os estudantes farão uma reconstituição dos acontecimentos, desde a criação da Vila de São Francisco do Conde, com o desenvolvimento do seu poderio econômico, por meio do Engenho de Açúcar, e seu passado de riquezas, até as lutas em si, fazendo uma elegia aos seus bravos combatentes. Ainda na homenagem, será recordada a efetiva participação dos saveiristas ao bloqueio a Salvador, os escravizados como soldados libertadores e a cavalaria negra de Dom João na Batalha de Pirajá.

O desfile cívico em homenagem ao 2 de Julho revela a identidade franciscana como protagonista da independência brasileira, algo relegado pela história oficial, que sempre priorizou o 07 de Setembro. “O 07 de Setembro foi um ato simbólico! Ele não aconteceu propriamente enquanto luta, foi um fato isolado, não houve combate, ao contrário das lutas que ocorreram em vários estados e, principalmente, aqui na Bahia pela consolidação da independência, ou seja, pela demarcação e expulsão definitiva dos portugueses que queriam transformar o Brasil em colônia!”, declarou o pesquisador José Marcelo.

De acordo com ele, quando a família real veio para o Brasil em 1808, o rei de Portugal, a fim de ter poder de comando, elevou o Brasil à categoria de reino. “Não é à toa que é chamado Reino de Portugal Brasil e Algarves, ou seja, regiões onde o rei de Portugal queria demarcar o seu poder e, a partir disso, ele poderia governar Portugal estando aqui no Brasil”.

Dada a importância dessa celebração, a gestão municipal convida toda a população para prestigiar, em peso, esse grande ato cívico que tem a missão de valorizar a força e a história do povo franciscano.