Escuta aos alunos da Rede Municipal de Ensino e encontro dos Grupos de Trabalho marcaram a semana de elaboração do Referencial Curricular Franciscano

Em mais uma semana de atividades que compõem a elaboração coletiva do Referencial Curricular Franciscano foram realizadas, na terça-feira (07), as primeiras visitas às unidades escolares de São Francisco do Conde. O objetivo foi ouvir dos alunos o que eles mais almejam aprender na escola, assim como os professores também foram auscultados. Além disso, integrou a ação semanal, uma formação com o professor Roberto Sidnei Macedo, na segunda-feira (06), e o encontro dos Grupos de Trabalho, realizado na quarta (08).

No primeiro dia da escuta, a equipe da Diretoria Pedagógica da Secretaria Municipal da Educação – SEDUC esteve nas escolas Antonina Olímpia, Bartolomeu Santos, Lícia Pinho, São Roque, Cantinho da Alegria e na Creche O Girassol, contemplando os bairros Roseira, São Bento, Centro, Santo Estevão e Caípe. Nas visitas, foi pedido às crianças que elas opinassem sobre o que gostariam de aprender na escola. A fim de despertar a imaginação e facilitar os depoimentos, os estudantes fizeram desenhos simbolizando essa vontade. “O desenho é uma forma de expressão da criança, com várias significações e que podem contribuir para que expressem os saberes que eles desejam nas escolas, no Referencial Curricular Franciscano”, explicou a diretora pedagógica da SEDUC, Cristiana Ferreira.

De acordo com a pequena Lara Manuela Soares Santos, que tem 8 anos de idade e está no 3º ano do Ensino Fundamental I, “amo estudar! Comecei a ler com 4 anos de idade”, disse a esperta menina, moradora da Ilha do Paty, que adora “ir para a maré”, como ela mesma diz.

Prestes a completar 40 anos auxiliando a comunidade do Paty em seus serviços, a diretora Brasília, da Escola São Roque, recebeu de braços abertos a equipe de colaboradores da SEDUC, acompanhados da diretora pedagógica e do Prof. Dr. Roberto Sidnei. Como é de costume na comunidade, foi servido um belo almoço, com muita moqueca e mariscos. Além disso, o momento que representou o pontapé na escuta aos alunos foi celebrado com uma apresentação exclusiva das Paparutas, evidenciando a importância da cultura local naquela localidade.

Thaíse Souza Santos, professora da Educação Infantil, da São Roque, reforçou que “a importância do Currículo Franciscano é poder trazer aspectos da cultura local e do cotidiano das crianças. O Paty não é só as Paparutas, tem também a geografia diferenciada, com modos de viver específicos da região”. Segundo ela, “as crianças vão se sentir mais estimulados com essa representatividade”.

A professora do Ensino fundamental, Clezilda Borges dos Santos, relatou que se deve inserir esses saberes de modo crítico, transformador e dinâmico.

Já na SEDUC, durante o encontro dos GT’s, o secretário da Educação Marivaldo do Amaral acompanhou de perto as discussões de cada Grupo de Trabalho, desde o de Informática, até o Fundamental Anos Finais, Linguagens Artísticas, Educação de Jovens e Adultos, Educação Inclusiva, Educação Infantil, dentre outros. Segundo ele, “estamos escrevendo um capítulo importante da história de São Francisco do Conde, visto que estamos construindo uma ‘alma nova’ para a Educação do nosso povo, através da construção do Referencial Curricular Franciscano. Nunca antes tivemos uma proposta curricular feita a muitas mãos como está sendo feita agora. As muitas vozes que ecoam das escolas através dos profissionais e dos estudantes que fazem o cotidiano escolar se somarão às vozes que virão das ruas e das famílias para dar cor, tom e sentido a uma escola que tende a ser mais prazerosa, mais democrática e com a cara de uma São Francisco do Conde aberta para o mundo. Os nossos estudantes passarão a ter acesso ao conhecimento que os prepare para romper fronteiras e valores equivocados que os mantêm submissos a uma lógica aparentemente pré-determinada. A educação tem esse papel libertador, emancipador e construtor de novos rumos, novas pontes para um futuro melhor. Tem sido muito emocionante esta experiência da construção coletiva do Currículo Franciscano”.

O gerente de Arte Educação Joane Macieira explicou que um dos objetivos do encontro dos GT’s desta semana foi preencher o organizador curricular, composto por saber, saber-fazer, princípios metodológicos, expectativa de aprendizagem, avaliação formacional e articulações curriculares. “Cada área das linguagens artísticas está preenchendo os tópicos do organizador. Hoje nos concentramos nas três primeiras colunas, junto com as expectativas de aprendizagem”. Ele informou que esse procedimento se deu após o GT que coordena, revisitar o Currículo Bahia e o Referencial Curricular de Salvador.

Para Elienai Barreto, da Direp, “perceber a beleza desse momento é singular. Estamos com uma oportunidade riquíssima, que a gente não se dá conta, mas que irá ser transformadora em nosso município. Ontem iniciamos um novo momento que foi o de ouvir os alunosO próximo passo é chamar a família para falarmos da escola contemporânea”, disse ela, exemplificando a tradicional comemoração do Dia das Mães, que, diante das novas configurações de família, urge ser modificada.

O secretário Marivaldo declarou-se muito feliz em acompanhar esta construção, com a participação de todos. “Esse momento é fundamental para imprimir cada detalhe do que a gente tem refletido. Vocês estão escrevendo uma nova história na educação do município. Quanto mais impressão digital de vocês, dos estudantes e das famílias tivermos, mais a cara franciscana o currículo irá ter”.

Em um dos GT’s que o professor e secretário da Educação Marivaldo do Amaral acompanhou, uma das discussões mais acaloradas deu-se a respeito da Educação Integral. Na ocasião, Marivaldo declarou que “a educação integral de tempo integral não depende apenas de espaço físico. Ela mexe tanto no currículo como na concepção do que é uma aula. Pensar a educação para além do prédio da escola é urgente. O estudante aprende com muito mais prazer”, finalizou.