“O impacto do nosso trabalho não será apenas nacional, mas mundial”, afirmou o Prof. Dr. Roberto Sidnei, durante o II Seminário Referencial Curricular Franciscano

Na última quinta-feira (13) aconteceu no auditório 02 de Julho, o II Seminário Referencial Curricular Franciscano. Voltado para os coordenadores dos Grupos de Trabalho, gestores escolares, colaboradores da Secretaria Municipal da Educação – SEDUC e o Conselho Municipal de Educação, durante o evento foi apresentado o resultado das produções dos GT´s, as ações para 4ª etapa e o lançamento da proposta de publicação de um livro sobre o percurso de construção do currículo franciscano.

Este dia ficará marcado pela percepção de que nós podemos! A rede tinha receio se podia ou não, se dava conta ou não dessa construção. A gente tem uma certeza muito grande de que é possível”, declarou a diretora pedagógica da SEDUC, Cristiana Ferreira, na abertura do seminário. “Esse município precisa ser um município pesquisador que precisa escrever sobre os seus fazeres e saberes”, continuou Cristiana, que informou que até aquela data, 10 encontros dos Grupos de Trabalho foram realizados.

Para o secretário da Educação Marivaldo do Amaral, “o Referencial Curricular Franciscano irá proporcionar uma verdadeira emancipação dos nossos estudantes. A recompensa por tanto esforço é que os frutos dessa construção coletiva irão pavimentar os caminhos para uma cidade nova, alimentando a nossa esperança de que o futuro pode ser melhor. O nosso alvo principal é o nosso estudante, é o cidadão franciscano para o qual estamos produzindo este referencial. Se não fossem por eles, nós não estaríamos aqui e não existiríamos como servidores públicos. A construção do Referencial Curricular é, antes de tudo, a construção da alma da Educação”.

No início de sua palestra, que teve por objetivo apresentar os próximos passos desta ação pioneira, que inclui a formação dos educadores da Rede Municipal de Ensino, o Prof. Dr. Roberto Sidinei Macedo pontuou que a fala do secretário Marivaldo do Amaral foi “rigorosa, precisa e honesta”. Para o estudioso em currículo, que tem dado assessoria técnica à SEDUC neste processo, “o impacto do nosso trabalho não será apenas nacional, mas mundial. O mundo vai conhecer um trabalho extremamente singular, que vai de encontro a uma reivindicação secular, que é não fazer o currículo para o outro sem o outro. A relação com o saber e o saber que qualifica nossa vida numa sociedade é pautada no poder do conhecimento”.

Nós temos o segundo momento com relação à construção do Referencial Curricular Franciscano, que a gente costuma dizer que é a pérola do nosso trabalho, a cereja do bolo, ou seja, as questões vinculadas à formação dos educadores a partir da proposta do referencial. Para nós do Formacce, que é o grupo de pesquisa da Faculdade de Educação da UFBA, é impossível pensar em política pública de currículo sem pensar em formação”.

Segundo Roberto Sidnei, formação não é propor para o outro uma lista de saberes. “Como o mundo da experiência do professor pode agregar a nossa formação?”, questionou. “A história da invenção do currículo é uma história de poder. Estamos aqui fazendo radicalmente o contrário. Sem vocês não há qualidade de Referencial Curricular Franciscano. Esta é uma oportunidade única para aprendermos sobre o currículo, que é uma pauta poderosa no mundo contemporâneo. O que é para mim como profissional ter acesso ao debate eleito no mundo como o mais importante?”.

O professor explicou que os saberes eleitos como formacionais implicam na formação técnica, moral, política, cultural, estética e espiritual do sujeito. “A SEDUC, a partir do secretário, faz uma valorização do trabalho docente e, ao mesmo tempo, é uma oportunidade ímpar de processos formacionais, inclusive meu”, continuou o professor da UFBA, que anunciou a publicação de um livro com textos que serão produzidos pelos participantes dos GT’S, cujo título será Um Referencial Curricular Contemporâneo: a singularidade curriculante do município de São Francisco do Conde.

Ao falar sobre as singularidades do Currículo Franciscano, Cristiana Ferreira disse que “é preciso toda uma aldeia para educar uma criança, um jovem, um adulto”, citando um provérbio africano. “Estamos falando de uma rede, de um município, é um todo empenhado. Somos atores e atrizes curriculantes e isso se constrói junto, de modo glocal (global e local). A perspectiva com a qual a gente tem trabalhado é de um currículo internacional, com uma perspectiva cultural muito forte, mas já não basta apenas a perspectiva cultural. Precisamos trazer também as questões sociais e econômicas”.

Tem algo que ninguém tira da gente, que é o nosso saber, o nosso percurso. Ninguém pode viver a nossa experiência por nós”, pontuou Cristiana, ao passo em que informou que haverá certificação para os coordenadores, membros dos GT’s e para equipe técnica da SEDUC.

Na sequência, foram apresentadas as produções dos GT´s. Gratidão foi a palavra que definiu, para a gerente de Currículo da SEDUC, Ana Carolina, essa consolidação. “Quero falar da gratidão e da felicidade por todos esses encontros. Estamos tendo a dignidade de trair o sistema que está posto, esse sistema que quer acabar com a educação básica. Fazer esse currículo é uma forma de resistir e reexistir”.