SEDUC reflete a Base Comum Curricular para a Educação Infantil no último dia do Pré-Diálogos Pedagógicos

O encerramento do Pré-Diálogos Pedagógicos, projeto da Prefeitura de São Francisco do Conde, realizado através da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC), aconteceu nesta última terça-feira (18), no auditório do Pré-ENEM. O foco das discussões foi a Base Nacional Comum Curricular e a Educação Infantil. A colaboradora da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), Cláudia Cristina Pinto, foi a convidada especial para explanar o tema.

O início da programação se deu de forma lúdica, quando bexigas que guardavam frases de importantes pensadores da Educação foram estouradas, trazendo à tona reflexões importantes para o segmento. Além disso, “foi apresentado um panorama com brincadeiras de ontem, de hoje e brincadeiras digitais”, informou Márcia Diana, da gerência de Educação Infantil da SEDUC.

Presente ao início da atividade, o secretário da Educação Marivaldo do Amaral pontuou um dos objetivos do Pré-Diálogos Pedagógicos, que é “discutir como será o próximo ano letivo, a fim de que se trace um caminho o mais alinhado possível com todos os profissionais envolvidos na Rede Municipal de Ensino, buscando compartilhar mais experiências entre os segmentos, o que irá refletir em uma maior qualificação”.

O secretário Marivaldo continuou sua fala dizendo que “o grande desafio para 2019 é a criação da nossa proposta curricular. Que possamos, ao longo do próximo ano, em parceria com vocês, construir a proposta curricular do município. Essa será a nossa principal ação! Tudo, no âmbito da SEDUC, deve se movimentar nesse sentido. Essa construção precisa acontecer em uma interação constante com o quadro de profissionais da rede, com a percepção da cultura local e com o universo em que vive nossos estudantes. Queremos que a qualidade possa ser até maior do que a da rede particular. É possível? É! Tem desafio? Tem! Mas não iremos desistir”.

Ainda sobre a construção do currículo municipal, a diretora pedagógica da SEDUC, Cristiana Ferreira, reiterou que será “um espaço para elaboração de referencial em que a gente acredita. Analisaremos a BNCC, assim como o Currículo Bahia e todos os documentos oficiais disponíveis. Iremos pegar essas referências para refletir, a fim de que possamos construir o nosso documento, com força teórica, pedagógica e prática”.

Cláudia Cristina iniciou sua palestra fazendo uma referência a flor de Mandacaru que, em meio a secura, desabrocha em todo seu esplendor. “Dentro do que estamos vivendo, o que está ao nosso alcance? Para podermos dar o nosso melhor é preciso que todos que aqui estão se comprometam por alguns estudos que serão necessários nessa jornada. Esse assunto da Base Comum Curricular é coisa muito séria. O que está por trás do BNCC? O que é isso? Como iremos nos posicionar? Muita gente se colocou contra o BNCC, mas não podemos nos colocar contra algo que é lei. A polêmica diz respeito a como ela tem sido feita. O que vem de cima para baixa é a uniformização do processo e estamos lutando para que isso não aconteça”.

Durante a palestra foi feito um percurso da Educação Infantil no Brasil, citando o exemplo da Roda dos Excluídos (extinta em 1950), uma das instituições brasileiras mais duradouras para assistir às crianças desvalidas ”e àquelas escondidas pela falsa moral burguesa”, recordou Cláudia.  “As primeiras tentativas de creches tinham um caráter assistencialista, onde se imperava a visão da Educação Infantil como o ‘tomar conta’. Quando as mulheres entram no mercado de trabalho, presumia-se que as crianças da classe trabalhadora seriam carentes. Enquanto isso, as propostas das escolas particulares eram do funcionamento em meio turno, estimulando a criatividade e a sociabilidade”.

Também foi apresentada a diferença entre criança e infância, em suas diferentes concepções. “Criança como pessoa pequena, que acha que escada não tem fim e tem medo de escuridão. Sujeito pequeno que vai deixar de ser criança. Sujeito que quer virar adulto. É uma fase que passa. Já a infância depende do tempo, do espaço e do lugar. Qual a sua concepção de infância?  Na Idade Média, a criança era uma miniatura de adulto”. De acordo com ela, o que muda é a concepção de infância que temos sobre as crianças, o que reverbera na criação de estratégias pedagógicas da Educação Infantil. ”Se a criança gosta tanto de brincadeira por que temos que viver castigando-as?”.

Nesse sentido, a palestrante trouxe o conceito de campo de experiência, contido na BNCC, que é dividido em 5 partes e deve permear toda a Educação Infantil: o outro, o eu e o nós; corpo, gestos e movimento; traços, sons, cores e formas; oralidade e escrita; espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. “Essa é a bola da vez! Tais eixos não podem ser tratados como divisão de áreas ou componentes disciplinares. Os campos de experiência são todos os habitats da criança, onde a família também está implicada”. Ainda segundo ela, “o fazer e o agir do estudante passa a ser o eixo da Educação Infantil”.