UNILAB: III Festival das Culturas proporciona diálogo e interação artística entre alunos de diversos países com a comunidade franciscana

A abertura do “III Festival das Culturas: Arte, Cultura Popular e Resistência” aconteceu na última quarta-feira (23), na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Campus dos Malês, em São Francisco do Conde.

O festival proporciona ao participante uma oportunidade para interagir com o mundo da arte e da cultura por meio de debates, seminários, cursos, exposições, rodas de conversas, oficinas, encontros e trocas culturais, feira de artesanato, sarau performático, dentre outras expressões artísticas. O Festival das Culturas segue até o dia 25 (sexta-feira) com uma programação diversificada, que se estende ao logo do dia no Campus da Universidade.

No segundo dia do evento aconteceu, no período da manhã, uma Roda de Conversa sobre “Memórias de Mestres(as): Saberes da Cultura Popular do Recôncavo”, com a participação de Alva Célia Medeiros, que compartilhou com o público a história do Lindroamor, bem como a importância da preservação dessa manifestação cultural em São Francisco do Conde. “Lindroamor é história, Lindroamor é folguedo, Lindroamor é processo de transformação social, cultural e, acima de tudo, sabedoria de memória. Isso é o que eu posso passar para vocês. Podem contar conosco para juntos preservarmos a nossa história também nas escolas e nas universidades desse país. Que tenhamos oportunidade nesses espaços para contarmos as nossas vivencias, pois quando temos propriedade para falar é completamente diferente da visão de quem não viveu esses momentos e desafios”, ressaltou Alva Célia Medeiros.

Quem também enriqueceu esse momento de conhecimento e interação foi Dona Joanice Fernandes, que contou a história do grupo de samba Raízes de Acupe e os desafios de perpetuar suas tradições através das novas gerações.

O professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Pedro Abib, também se fez presente ao evento junto com os alunos e a comunidade franciscana. Na oportunidade, o professor enfatizou a importância de trazer para a universidade os mestres e mestras da cultura popular para que possam contar sobre as suas vivências através dessas manifestações populares, bem como a valorização da oralidade para que a cultura possa sobreviver. “A academia tem que abrir espaços para os saberes que vêm da cultura popular. É preciso que os saberes populares  sejam reconhecidos com a mesma dignidade dos outros saberes, a exemplo dos saberes científicos. A academia tem que aprender a dialogar mais com esses saberes que vêm das tradições, das pessoas, dos mestres e mestras que têm muito a nos ensinar. Eles são doutores dos saberes, das suas vivências e lutas”, ressaltou o professor.