Companhia de Polícia de Proteção Ambiental do Estado da Bahia participa de visita guiada à Sala Verde da SEDUC

A Sala Verde da Secretaria da Educação (SEDUC), através da Diretoria Pedagógica (DIREP) e articulação da Gerência de Educação Ambiental, tem buscado aprimorar as ações educativas de cunho ambiental que desenvolve, incluindo a parceria com instituições que atuam no campo da Educação Ambiental. Assim, na última segunda-feira (22), a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental do Estado da Bahia – COPPA participou de uma visita guiada ao espaço promovida para o público da Educação de Jovens e Adultos – EJA da Rede Municipal de Ensino.

“A referida instituição foi convidada no intuito de fortalecer o processo de sensibilização ambiental dos estudantes em relação à necessidade de co-responsabilidade para a conservação ambiental em São Francisco do Conde. Além das atividades de exposição oral, sobre questões ambientais gerais e específicas do município, e observação orientada dos itens em exposição na Sala Verde, os alunos tiveram oportunidade de compreender as formas de atuação da polícia ambiental e ainda observar inúmeras espécies de animais silvestres taxidermizados, no intuito de chamar a atenção para necessidade de proteção da nossa fauna”, informou a gerente de Educação Ambiental da SEDUC, Angélica Paixão.

Estiveram presentes à atividade, realizada no período noturno,os estudantes da EJA das escolas municipais Juvenal Eugênio de Queiroz (Baixa Fria), Almir Pinto (Campinas) e Rural do Guruge.  O que mais chamou a atenção de Dona Domingas Santos, aluna da Juvenal, foi o alerta de que os passarinhos devem viver soltos “e não presos em gaiolas“. Outro momento inesquecível relatado por ela foi a oportunidade de visualizar a lava de um mosquito no microscópio.

As aves que mais são vítimas de aprisionamento são as aves canoras (aquelas que “cantam”), como papa capim, canário,pássaro preto, cardeal e curió, e as que pertencem à família dos  psitacídeos (que imitam a voz humana), como papagaios e periquitos.

A COPPA tem três sedes no estado da Bahia: no bairro de Pituaçu, em Salvador, e nas cidades de Lençóis e Porto Seguro. A Companhia possui um Núcleo de Educação Ambiental com atividades em empresas, indústrias e escolas. Em suas palestras, aborda, sobretudo, a diversidade de animais da Mata Atlântica e a necessidade de proteção desses animais, fazendo prevenção sobre o tráfico e guarda ilegal de animais silvestres. “Muita gente possui em casa esses animais sem ter consciência de que estão cometendo um crime ambiental. Esse é um costume antigo, que vem desde a chegada dos portugueses ao Brasil. No entanto, os índios conviviam com os animais soltos na Natureza”, alertou a Subtenente Gracinda Farias. A guarda legal só é possível sob a autorização do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos – INEMA ou do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.

O tema da liberdade foi considerado por Seu Antônio Carlos, também aluno da Juvenal, o mais importante aprendizado da aula de campo. “Não se deve prender os bichos porque ninguém quer viver preso. Ninguém quer viver em gaiola sem ter asas para voar. É uma desumanidade porque todos fazem parte da natureza e a natureza inclui todos os animais, as plantas e as pessoas. Se nós temos liberdade porque os animais também não devem ter? É um direito os pássaros terem asas para voar, ter o sol para ver, o dia para correr e brincar. Se nós, seres humanos, devemos ter liberdade, os animais também devem ter!”, frisou.

Caso alguém possua um animal silvestre e queira se desfazer do mesmo, não se deve soltá-lo de uma hora para outra na natureza, conforme explicou a Subtenente da COPPA “porque eles não sabem mais como caçar, onde dormir….o melhor é fazer uma entrega voluntária ao INEMA ou IBAMA, o que exime o cidadão do crime”. A Lei de crimes ambientais é a Lei 9605/98 de 12 de fevereiro de 98. Em seu artigo 32, ela dispõe sobre a caça e maus tratos, tantos dos animais nativos como em rotas migratórias. ”O mais importante é o equilíbrio ambiental. Quanto mais pessoas tiverem conhecimento a cerca das leis de proteção ao meio ambiente, mais ele estará protegido”.

Outra informação importante trazida pelos policiais da COPPA foi relativa aos perigos do consumo da carne de animais silvestres, que podem trazer doenças aos humanos, ”como o tatu, que mesmo cozido pode causar hanseníase. Além disso, alimentar-se de sariguê, jacaré ou serpente pode causar raiva. Até no manejando os animais, nós humanos podemos pegar vermes”, alertou a subtenente.

Para os estudantes da EJA foi uma oportunidade para ressignificar o conhecimento já construído ao longo dos anos a partir de suas vivências, pois muitas vezes os saberes populares não traduzem o conhecimento científico e esse comparativo foi muito positivo. Para os estudantes adultos e idosos as orientações apresentadas pela equipe da COPPA também sanou algumas dúvidas quanto à preservação dos animais silvestres e ações que hoje são consideradas ilegais, mas que por falta de acesso à essas informações, muitos continuam cometendo erros. Foi uma oportunidade ímpar poder acompanhar o entusiasmo de nossos estudantes diante do repensar os fazeres cotidianos,  sendo o trabalho desenvolvido na Sala Verde pela Gerência da Educação Ambiental, um trabalho muito significativo de sensibilização para preservação ambiental com atitudes mais consciente por parte dos estudantes da EJA”, considerou Márcia Mariño, representante da Gerência da Educação de Jovens, Adultos e Idosos.