Gênero e Violência Doméstica são abordados em capacitação para servidores

Preocupada em promover o fortalecimento das ações de enfrentamento e combate à violência doméstica, na manhã desta quinta-feira, 08 de novembro, a Prefeitura de São Francisco do Conde, por iniciativa do Centro de Referência em Atendimento a Mulheres Vítima de Violência (CRAM Maria Felipa) – órgão vinculado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Cidadania e Juventude (SDHCJ) – reuniu mais de 70 servidores públicos, oriundos da rede de enfrentamento a esse tipo de violência, para participar de uma capacitação ministrada pela Dra. Flora Maria Brito Pereira. Flora é graduada em Direito pela UFBA e especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça, também pela UFBA, além de militante na área de Direito da Família e Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher há mais de 10 anos.

Antes que as abordagens realizadas por Flora Pereira se tornassem pontos de partida para o encontro de idéias e polêmicas, a secretária da SDHCJ, Luciana Araújo, desabafou o seu repúdio às agressões cometidas contra o estudante da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). “A partir do momento em que esse estudante passa a morar aqui e a estudar aqui, ele se torna pertencente a este município. A Prefeitura e a Unilab estão criando estratégias para combater crimes de cunho racistas”. Em seguida, a secretária disse que este seria o primeiro de uma série de capacitações, cujas propostas perpassam pela redução da violência, especialmente contra a mulher, e desejou um bom aproveitamento sobre o tema aos presentes.

Estamos aqui num processo de troca e aprendizado e para entendermos a violência contra a mulher, precisamos pensar na questão do gênero”, destacou Flora na abertura de sua fala, seguindo do questionamento: “O que você já deixou de fazer por ser mulher ou homem?”. A provocação da pergunta ergueu uma lista de modos e afazeres citados pelo público presente, levando-os a refletir para os moldes criados a partir da família e da sociedade a cada um deles. “Os estudos de gênero mostram que há um investimento da sociedade para a formação de um padrão de modelo esperado de masculinidade e feminilidade que cada homem ou mulher deve assumir”, disse. No contexto, ela ainda destacou que “os papeis de gênero são moldados pela sociedade e regidos pela cultura, religião, posição sócio-econômica e sistema político”. Entre os temas debatidos, a especialista e militante também destacou os aspectos de estudos que envolvem as restrições de gênero, identidade construída, violência contra a mulher, Lei Maria da Penha e rede de enfrentamento. “Vamos fortalecer essa rede”, reiterou Flora.

Entre os participantes, membros do CRAM, CRAS, CREAS, PAS, CAPS, PSFs, CRESAM, Conselho Tutelar, Bolsa Família, Ronda Escolar, Assistência Social do Hospital Docente Assistencial Célia Almeida Lima, além dos profissionais da Proteção Especial e Básica da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Esportes (SEDESE) e da Polícia Militar estiveram no encontro. As falas de abertura do evento também ficaram a cargo de Camila Santana – coordenadora do CRAM no município e do Tenente Barros – comandante do 4º Pelotão da PM.