O que é ser negra/o no Brasil: Oficina Racismo e Desigualdades Raciais é realizada na Secretaria da Educação – SEDUC

Com o objetivo de refletir, socializar e ressignificar o processo de ensino e aprendizagem, a partir das especificidades da Educação Escolar Quilombola, foi realizada, nesta terça-feira (10), uma formação com o Instituto Ìrohìn – Centro de Documentação, Comunicação e Memória Afro-brasileira. A atividade aconteceu no Auditório 02 de Julho/ SEDUC e teve por tema O que é ser negra/o no Brasil: Oficina Racismo e Desigualdades Raciais.

Fiz o convite ao instituto por perceber a importância do mesmo no processo de formação humana e educacional do sujeito”, informou a gerente de Educação Quilombola da Secretaria Municipal da Educação – SEDUC, Elizangela de Jesus dos Santos. A oficina foi conduzida pelo coordenador do Ìrohìn, Edson Lopes Cardoso, auxiliado pela coordenadora de Comunicação do instituto, Juci Machado.

O mediador Edson ressaltou a importância de compartilhar com os estudantes da Rede Municipal de Ensino a alegria do pertencimento de ser quem se é. “É o momento de dizer que o cabelo é meu e eu uso do jeito que quero. Quem está dizendo isso foi escravizado. Qual o significado que estou dando à minha liberdade? Você não manda em mim, não diz o que devo ou não fazer. É disso que se trata, sentir a alegria de se perceber de determinada maneira não tem preço. Claro que o aluno irá estudar e se dedicar melhor às suas tarefas assim”.

Segundo ele, no racismo associa-se a aparência a valores sempre negativos e se trabalha com um tipo de estigma, que é o da cor da pele. Nesse sentido, a sociedade brasileira cometeu um erro em não falar sobre o assunto. “A escola muitas vezes silencia sobre a melanina, mas fala sobre a clorofila. Importante falar desde cedo sobre as diferenças na aparência. A cor da pele vai definindo práticas”.

Foram lidos trechos de textos importantes a respeito do tema, como Estigma (Goffman, 1988), A falsa medida do homem (GOULD, 1991), Vencer é possível (MANDELA, 1998) e Nacionalismos – o estado nacional e o nacionalismo no século XX (GUIBERNAU, 1997). Também foram trazidos exemplos na publicidade e em publicações editoriais, em que, aos poucos, a representatividade negra começa a aparecer, a exemplo da propaganda da Pantene e a revistinha da Turma da Mônica, que depois de 50 anos incorporou uma personagem negra.

Ao citar o caso de uma mãe que abordou uma criança negra sugerindo que ela prendesse o seu cabelo, a integrante da gerência de Educação Infantil, Vigna Barbosa, questionou: “qual intervenção enquanto eu – gestora, professora, coordenadora – tenho que fazer para que esse tipo de coisa não aconteça? Quando vejo esse momento de formação é uma felicidade grande porque notamos que existem outras pessoas buscando e tentando mudar esse cenário”.

Roseane Medeiros da Silva, diretora da Escola Duque de Caxias, localizada na região quilombola do Monte Recôncavo, afirmou que “a escola tem papel fundamental no combate ao racismo e essa formação só tem a agregar porque a gente acredita que podemos promover uma educação de qualidade onde o estudante se sinta pertencente à cultural local e à identidade escolar quilombola, valorizando, assim, suas raízes”, disse. “Trabalhando essas questões éticas e raciais na escola, o estudante irá se empoderar e ser um cidadão que não irá aceitar mais essa situação. A educação é a via de acesso para que a criança entenda que ela é capaz de vencer e ocupar qualquer cargo. Reconhecer-se como belo, bonito e capaz de ocupar qualquer função. Fechar os olhos para essas questões é legitimar as desigualdades sociais. O professor também não pode deixar passar qualquer tipo de constrangimento, em se tratando de escola quilombola isso é fundamental. São direitos que precisam ser assegurados”, concluiu Roseane.