Professoras franciscanas são destaque no 11° Prêmio Professores do Brasil

A Educação franciscana tem tido constantemente motivos para comemorar. Depois do aumento na nota do IDEB, agora duas educadoras da rede municipal de ensino ganharam notoriedade com a divulgação, pelo Ministério da Educação (MEC), dos nomes dos professores vencedores e destaques da etapa estadual da 11ª edição do Prêmio Professores do Brasil.
São elas: Fernanda Costa, da Escola Isidória Borges, com o projeto Navegando em Mares Piratas; e Mighian Nunes, da Creche Casulo, com o projeto Paranauê, nessa roda de capoeira tem bebê.
Segundo a professora Fernanda, “o projeto Navegando em Mares Piratas surgiu de uma inquietação minha como professora de uma turma cheia de curiosidades. Enquanto alguns alunos desejam aprender sobre animais, os alunos do GIII C de 2017 desejavam aprender sobre piratas, foguetes e planetas. Enquanto a maioria dos alunos expressam a sua satisfação por algo dizendo ‘gostei’, eles me surpreendiam com ‘achei magnífico’, ‘bravo’, ‘foi esplêndido’. Então, pensei: ‘uma turma diferente precisa de uma proposta diferente’ e lá fui eu estudar sobre o tema dos piratas que eles escolheram aprender”, disse.
Ainda de acordo com Fernanda, ” Navegando em Mares Piratas procurou responder as curiosidades das crianças sobre o assunto e foi trabalhado baseado em valores cultivados no nosso dia-a-dia, como a cooperatividade, a honestidade, a autonomia e o respeito. As curiosidades foram levantadas em conjunto pela turma e organizadas por mim em duas semanas de estudos e experiências. Degustamos especiarias, aprendemos sobre as lendas do mar, aprendemos e experienciamos porque alguns elementos afundam e outros não, falamos sobre correntes marítimas, ventos, constelações e pontos cardeais como meios de navegação, conhecemos os piratas mais famosos da história e descobrimos mulheres piratas, aprendemos como eram feitas as comercializações antes do dinheiro e fizemos avaliação das mudanças de cédulas que ocorreram em nosso país com uma linha do tempo, montamos um painel de curiosidades, conversamos sobre as leis piratas e as leis sociais atuais. Um assunto aparentemente irrelevante deu pontapé para muitos aprendizados“.
Eu acredito em uma educação que respeita a individualidade do ser, que se constrói em comunidade. Não fazia sentido ensinar tantas outras temáticas e esquecer as que eles tanto pediam para aprender. Qual é o objetivo da educação se não educar a partir daquilo que faz sentido para o educando? Como educar dizendo a eles que a sua curiosidade deve ser deixada para depois?”, reiterou a professora da Isidória.
Já o projeto Paranauê: em roda de capoeira tem bebê!, segundo conta a professora Mighian Nunes, nasceu do movimento. “Observando as crianças na creche, percebi que era necessário organizar para e com elas atividades que levassem em consideração suas experiências com o corpo e que não deixassem de lado o contexto em que estavam inseridas. Assim, escrevi um projeto que relacionasse temas conhecidos pelas crianças da Creche Casulo e que se relacionassem com outros saberes que envolvessem corpo, movimento, dança, fazendo uma referência aos saberes da população negra, tão presente na cidade de São Francisco do Conde. Escolhi a capoeira como um tema central e a partir dele organizamos diversas atividades que buscaram integrar as famílias na escola e também estimular às crianças um contato com esta arte na escola e não apenas fora dela. Desse modo, de maneira intencional, a ideia era valorizar os saberes da capoeira dentro do projeto pedagógico gestado dentro da escola, para situá-la num espaço formal, um lugar onde ela também deve estar!”.
O Prêmio Professores do Brasil valoriza os professores de escolas públicas que promovem a melhoria da aprendizagem em salas de aula. Nesta edição,  4.040 professores de todos os estados brasileiros se inscreveram.
Desde 2016 venho acompanhando o Prêmio Professoras/es do Brasil, mas havia perdido o prazo para participar. Assim, quando abriram as inscrições em 2017, corri para fazer minha inscrição, porque já tinha realizado a atividade inteira no segundo semestre de 2016! Sempre fiquei antenada para participar de concursos porque acho que é uma ótima maneira de levar adiante o trabalho que fazemos dentro da escola com nossas turmas”, relatou  Mighian.
Estou especialmente feliz de ter sido destaque na categoria creche do prêmio nesta etapa estadual. Por último, mas não menos importante, eu preciso dizer que não teria conseguido essa premiação sem as crianças. Elas foram as grandes responsáveis pela beleza do projeto. Foram elas que me chamaram a atenção para o tema, foram elas que reformularam o projeto e foram também elas que levaram ele à frente. Meu carinho e afeto especial por cada uma delas é o que me motiva a continuar”, declarou a professora da Creche Casulo.
No dia 11 de outubro, serão anunciados os 30 finalistas que irão para a etapa nacional, assim como os selecionados para a premiação especial. O resultado final será dado no dia 29 de novembro, direto do Rio de Janeiro.