SDHCJ realizou o 1° Encontro Intereligioso em São Francisco do Conde

Em comemoração ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos, Cidadania e Juventude – SDHCJ, juntamente com o Colegiado Permanente da Religião de Matriz Africana e o Comitê Municipal de Diversidade Religiosa realizaram na última segunda-feira (21), o 1° Encontro Intereligioso em São Francisco do Conde.

O encontro, que aconteceu no Pré-ENEM (antigo Pré-vestibular- Praça da Santa Cruz), teve como finalidade a Criação do Plano de Enfrentamento e Rede de Combate à Intolerância Religiosa do Município, como forma de estabelecer e difundir normais, rotinas e práticas que assegurem o cumprimento da lei no Combate a Intolerância Religiosa, disseminando assim, uma cultura de respeito, paz, democracia e direitos humanos no município.

Na ocasião, estiveram presentes a Secretária de Direitos Humanos, Cidadania e Juventude (SDHCJ), Luciana Araújo, da secretária de Turismo (SETUR), Ussula Flávia, que representou o prefeito do município, Evandro Almeida, da secretária de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), Ana Christina Oliveira, do ouvidor geral do município, Alberto Jorge Mattos (Beto Maria), do presidente da Câmara de Vereadores, Antônio Santos Lopes (Pantera), além de representantes de religiões, sendo eles: Abdulai Djobi, representando o seguimento Islâmico, Isis Duarte – ministra assistente da Igreja Messiânica, Alva Célia Medeiros – Mametu Kamureenge do Terreiro Angurusena Dya Nzambi, Maria Edelzuita Bulcão – Ialorixá do Terreiro do Kessimicongo, os Pastores Otávio Henrique dos Santos e Vinicius Santos – representando o Conselho de Pastores de São Francisco do Conde e o Babalorixá Everaldo Cardoso Bispo – Ilé Odé Axé Oba Omin.

No dia 21 de janeiro celebra-se a Lei n° 11.634/07, marcado como o Dia da Transformação e Conscientização das Diferentes Religiões de Matriz Africana e outras, na busca por respeito à diversidade. A data é em homenagem a yalorixá Gildásia dos Santos, mais conhecida como “Mãe Gilda” que sofreu intolerância religiosa quando o seu terreiro foi invadido e depredado.

Na oportunidade, palestraram sobre “Racismo Institucional, Crime Racial e Intolerância Religiosa”, o  M.e em Desenvolvimento Humano e o professor, Anailton dos Anjos, o Tenente Coronel, Paulo Peixoto, que representou os Grupos Vulneráveis de Intolerância Religiosa, além do mediador, Tata Alex de Kabila.

A secretária de Direitos Humanos, Cidadania e Juventude (SDHCJ), Luciana Araújo iniciou sua fala agradecendo a presença de todos e relatou a magnitude desse encontro. “Com uma grande diversidade de religiões que temos no município, principalmente da participação majoritária de algumas, a gente entendeu que o conselho seria muito pequeno para uma discursão tão ampla, uma discursão que deve se ter grandes representações, nesse sentido, pensamos em criar esse comitê para discutir as relações de intolerância religiosa no nosso município”. A gestora também destacou os momentos difíceis que o Brasil está passando e revelou o quanto será difícil a atuação de políticas públicas nesse período. “Eu quero dizer que estamos vivendo um difícil momento neste país, onde as políticas públicas, principalmente quando se trata de diversidade irão encontrar dificuldades, então, nesse sentido, é que precisamos pensar de qual forma esse Comitê, esse Plano, irá proteger os nossos. De que forma podemos nos defender desses obstáculos. É preciso nos fortalecer! Esse momento está sendo construído de forma coesa, gradativamente e, sobretudo, com a participação de todos. Claro que tem algumas religiões mais presentes nessa construção, mas o olhar tem sido dado de forma igualitária para que todos se sintam representado”, enfatizou a secretária.

A secretária de Turismo, Ússula Flávia, que esteve representando o prefeito Evandro Almeida, discorreu sobre a importância da ação para o município.  “Fé é algo que devemos respeitar, até mesmo a ausência dela. A intolerância sofrida por Mãe Gilda feriu não só uma pessoa, mas todo um povo que a representa. Essa é uma rede que se cria de fora para dentro e me sinto feliz por ver essa diversidade de religiões, isso mostra que o nosso município consegue ficar à frente de muitas construções. Precisamos construir políticas públicas que atendam a todos seguimentos”, afirmou.

Intolerância Religiosa é uma das práticas mais horríveis, mais cruéis e uma das mais antigas ações que os homens cometem. Ela destrói, desrespeita e mata, e, é por isso, que estamos aqui neste momento, para tratar de frente com essa questão. A partir do momento que não conseguimos enxergar a possibilidade de existir outros seguimentos religiosos nos tornamos racistas, preconceituosos e intolerantes com o outro,” afirmou o mediador do encontro, Tata Alex de Kabila, que na oportunidade também ressaltou que “esse plano de enfrentamento vai contemplar a criação da Rede de Combate à Intolerância Religiosa no município, e, para isso, todos os seguimentos foram convidados para o diálogo com o intuito de criar estratégias e mostrar as principais dificuldades que enfrentam no dia a dia,” declarou.